- Home >
- Artigos de Professores >
- O Duopólio Aéreo Brasileiro
- << Voltar
O Duopólio Aéreo Brasileiro
Judas Tadeu Grassi Mendes (*)
Quando Nelson Jobim assumiu o Ministério da Defesa para tentar resolver o caos aéreo em que se encontrava o setor até que ficamos animados porque ele havia demonstrado competência em outras funções exercidas. Realmente, a situação de caos aéreo melhorou, mas ainda está longe de festejarmos.
Poucos meses depois de assumir o cargo, o ministro Jobim foi muito infeliz ao defender a não abertura do aéreo brasileiro às companhias aéreas estrangeiras. Ora, se durante décadas de mercado fechado ainda estamos na situação quase caótica pelo desprezo com os passageiros, isso é uma evidente demonstração de que está na hora de repensarmos para fazer a veemente defesa dos mais de 40 milhões de brasileiros que viajam anualmente.
Eu vi e ouvi o ministro dizendo que defendia a não abertura a exemplo do que fazem os Estados Unidos. Ora, senhor Jobim será que o senhor está tão desinformado e não percebe que o mercado aéreo brasileiro está fortemente concentrado nas mãos de apenas duas empresas (TAM e GOL), que juntas controlam mais de três quartos do nosso mercado, ou seja, é uma situação de duopólio, apesar de outras pequenas empresas atuarem, caracterizando um certo oligopólio. Por que, então, que o mercado aéreo norte-americano, cujo número de passageiros transportados ultrapassa 700 milhões por ano (ou seja, mais de 17 vezes o mercado brasileiro) funciona muito bem e só tem dificuldades quando as condições climáticas são muito adversas, como é o caso do rigoroso inverno com camadas elevadas de neve?
Senhor ministro, há aeroportos americanos, como os de Atlanta e Chicago, onde em cada um passam mais de 80 milhões de passageiros (o dobro do mercado brasileiro) e o funcionamento é invejável. O que acontece, senhor Jobim, e que no mercado existem dezenas de empresas aéreas e o mercado não é concentrado nas mãos de poucos como no Brasil. A maior empresa norte-americana, a American, transporta sozinha mais de 100 milhões de passageiros por ano e mesmo assim só tem um sexto daquele mercado.
Com o único objetivo de contribuir para uma solução para o problema e beneficiar os brasileiros que viajam por este meio de transporte, vou citar aqui pelo menos 25 empresas que atuam no mercado norte-americano, sendo que as sete primeiras, cada uma transporta mais de 40 milhões de passageiros, que é o total do mercado brasileiro. Essas empresas, pela ordem decrescente, são: American, Southwest, Delta, United, US Airways, Northwest, Continental, American Eagle,Alaska, AirTran, Skywest, Expressjet, JetBlue, Comair, Mesa, Atlantic Southeast, Pinnacle, Frontier, Air Wisconsin, Horizon, Hawaiian, Mesaba, Independence, Ata e Spirit.
Esta lista é apenas para lembrar ao senhor ministro que o mercado aéreo norte-americano é realmente muito competitivo e esse o único caminho em defesa dos brasileiros. Aliás, foi assim que conseguimos combater a inflação brasileira, ao abrirmos o nosso mercado à competição. É por estar fortemente concentrado nas mãos de apenas duas empresas, que têm demonstrado não terem condições sozinhas de resolver o problema, que o preço dos bilhetes aéreos no mercado brasileiro é muito mais caro do que no exterior, para a mesma distância.
Senhor Jobim, espero com esses dados contribuir para que V. Excia. reflita melhor sobre o assunto e defenda os brasileiros que viajam pelo meio aéreo. Uma vez que as nossas empresas que já foram protegidas por longos anos demonstraram incapazes de atender condignamente os brasileiros, vamos então abrir o nosso mercado. Para garantir competição, basta limitar que as estrangeiras não podem ultrapassar, por exemplo, metade do mercado total brasileiro e que individualmente não pode passar de 15%. Já seria um bom começo. Pense nisso!.
(*) Ph.D. em Economia e Agribusiness pela Ohio State University (EUA, 1980), foi Professor Titular da UFPR (1974-95), Professor visitante nos EUA, Japão e Alemanha, autor de seis livros de Economia e Agronegócio. É um dos fundadores e atual diretor presidente da Estação Business School.



