Minha Visão de Liderança

Judas Tadeu Grassi Mendes (*)


Não sou um especialista em gestão de pessoas, mas minha vida tem sido muito intensamente compartilhada com gente, seja na minha experiência no setor público (como presidente do Ipardes ou da Fundepar), ou no setor privado (com pró-reitor de um centro universitário e de uma universidade) e agora como diretor presidente da Estação Business School.  Nada mais agradável do que conviver com pessoas, principalmente com gente onde o clima organizacional é de felicidade e de profissionais que tenham prazer em estar trabalhando. Afinal, vivemos pelo menos um terço da nossa vida no trabalho, o qual não deve ser encarado como um castigo, mas como um momento de realização pessoal e profissional. Qual maior satisfação de um ser humano de estar contribuindo para geração de produtos e serviços que melhorem as condições de vida de outros serem humanos?


É fundamental entender que líder não é apenas quem está no topo da organização. A liderança pode e deve ser exercida em todos os níveis da empresa.  Um auxiliar de escritório pode ter uma liderança no seu ambiente de trabalho, desde que ele tenha algumas características ou virtudes, que a seguir consideramos fundamentais.

Características ou virtudes do líder
Num resumo das principais virtudes de um líder, na opinião de vários autores, pode-se citar as seguintes:

- Humildade. Não tem liderança quem é arrogante e orgulhoso.  A modéstia é uma virtude.
Respeito. Tratar todas as pessoas (independentes de suas posições) como importantes. A senhora que serve o cafezinho deve ser bem tratada e valorizada. Ninguém é superior: todos devem ser considerados iguais. Somente assim, cria-se um clima organizacional prazeroso. O respeito não é algo que se ganha, mas é conquistado quando se é líder.
Paciência e serenidade. Ter senso de justiça é fundamental para um líder.
Bondade. Dar atenção e incentivo a todos os colaboradores, de modo que todos se sintam igualmente valorizados.
–  Dedicação total e Paixão. Alguém que coloca emoção e alma para realizar sonhos.
Altruísta. É o líder que, antes de atender suas próprias necessidades, procura atender as necessidades dos outros. È ai que ele se torna o chamado “líder servidor”.
Honestidade e integridade. Com elas, o líder conquista a confiança e constrói uma organização sólida e duradoura. Assim, as pessoas acreditam nele e confiam em suas palavras.
Caráter e ética. Diz respeito à maturidade moral, que é a disposição de fazer a coisa certa, mesmo quando o líder não tem vontade. É a força moral e ética que guia o comportamento de acordo com valores e princípios adequados. Assim, o líder passa a ser exemplo e inspira as pessoas.
Proatividade e Coragem . O verdadeiro líder tem atitude, não tem medo de correr riscos e procura fazer o que antes parecia impossível.  O líder tem que ser inovador e proativo.
Foco e Objetivo. Não se deve desperdiçar tempo e energia com tarefas que não fazem parte do sonho de uma equipe. É fundamental focar nos objetivos claros em mente.
Maturidade humana. Equilíbrio e clareza nas decisões, amadurecidas, depois de ouvir os demais envolvidos.
Compromisso. Um verdadeiro líder cumpre os compromissos que assume. Para tanto, a lealdade com a sua equipe é fundamental. Compromisso é ter a coragem moral de fazer a coisa certa, mesmo que implique nas relações de amizade.
Abnegação. É a combinação de duas características acima: humildade com altruísmo. Pensar e agir para os outros.
- Habilidades para: observar, escutar, falar, envolver, compreender, dar e receber feedback, orientar.


Com estas características ou virtudes, o profissional tem o respeito de seus colegas de trabalho e é seguido por eles. Afinal, os líderes têm seguidores. O verdadeiro líder sabe administrar e valorizar os ativos mais sensíveis e importantes de uma organização: as pessoas. Afinal, são elas que fazem os processos Apesar de não ser fácil, é gratificante. É difícil encontrar uma empresa de sucesso que não tenha por trás um líder. Uma das causas do insucesso das organizações está na ausência de uma liderança dinâmica e eficaz.


Líder tem autoridade, não poder

Se liderança é a capacidade de influenciar pessoas para o bem, os times eficazes não têm “ditadores” ou “chefes”, pois todos podem ser líderes, em que cada um tem a responsabilidade pessoal pelo sucesso da equipe. Todos deixam a sua marca, uns mais do que outros.


Só é líder que assume grandes responsabilidades para com as pessoas. Afinal, ele tem uma profunda interferência na vida delas e as fazem ainda melhores do que seriam capazes de ser, sem uma boa liderança.


Pelo poder, o falso líder tem a capacidade de obrigar, forçando os outros a obedecerem à sua vontade. O problema é que o poder deteriora os relacionamentos, com conseqüências negativas para a empresa.


O verdadeiro líder tem autoridade com as pessoas, uma vez que ele tem a habilidade de leva-las a aceitarem de bom grado sua vontade, por causa de sua influência natural e pessoal. O poder impõe, mas não constrói, enquanto pela autoridade, o líder constrói ambientes melhores e com maiores resultados para a organização.  
Por exemplo, Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King Jr não tinham poderes em mãos, mas tinham autoridade e por isso tiveram seguidores. Jesus Cristo é um outro exemplo, tornando-se um dos maiores líderes de todos os tempos.


Na crise, jogar só para não perder?
Neste novo ambiente econômico dos negócios, de crise financeira mundial, os líderes precisam ser mais arrojados, criando ambientes colaborativos que melhorem a estratégia. Em vez de se tornarem mais defensivos, como normalmente ocorre num momento de crise, os líderes atuais precisam deixar de jogar para não perder (como por exemplo redução do caixa e giro mais lento dos estoques), numa analogia do futebol e serem mais ofensivos e criativos.  Quem joga apenas para não perder faz somente o suficiente para sobreviver, assume estratégia com base apenas no passado (cujas condições mudaram), e apenas espera o que os outros estão fazendo. Assim, sem inovação, o risco passa a ser ainda maior. Jogando para vencer, a empresa, sob a orientação de um verdadeiro líder, passa a utilizar recursos e ativos para investir em novas oportunidades estratégicas com ações.


Na crise, investir em gente se tornou ainda mais vital. Somente pessoas preparadas são capazes de transformar crise em oportunidades. Os líderes que não perceberem isso conduzirão suas organizações por caminhos mais difíceis. Esse desafio é ainda maior porque o clima organizacional piorou por causa da crise e das incertezas. Nada pior para uma empresa do que um líder desmotivado com as dificuldades de seu negócio, pois isso contamina ainda mais o ambiente. Transmitir entusiasmo e motivação é fundamental.


Uma organização que tem um líder que inspira e se comunica bem coma equipe é determinante para comprometer e envolver os colaboradores em tempos de turbulência. As empresas que têm um ótimo clima para se trabalhar normalmente praticam lições como: coesão e transparência entre a direção e os colaboradores, comunicação interna clara e adequada, desenvolvimento de pessoas, estímulos à motivação e senso de compartilhamento das decisões. Um dos grandes desafios de um líder é não falhar na hora de motivar equipes na crise.


(*)  Ph.D. em Economia e Agribusiness pela Ohio State University (EUA, 1980), foi Professor Titular da UFPR (1974-95), Professor visitante nos EUA, Japão e Alemanha, autor de seis livros de Economia e Agronegócio. É um dos fundadores e atual diretor presidente da Estação Business School.