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LULA: A Tragédia de R$ 1 trilhão de Juros
Judas Tadeu Grassi Mendes (*)
A já famosa frase do nosso presidente “nunca na história deste país” teve em julho de 2009 uma infeliz verdade: o governo Lula chegou ao estratosférico valor de R$ 1.000.000.000.000 (R$ 1 trilhão) somente em pagamentos de juros da dívida pública, em seis anos e meio. Imagino que o leitor deste artigo deva estar imaginando que este autor cometeu um equívoco no cálculo do valor. Afinal, como pode chegar a R$ 1 trilhão, ou seja, um terço do PIB brasileiro? Para deixar claro que não há nenhum engano, vamos mostrar todos os valores anualmente, desde 2003, cujo valor foi de R$ 145 bilhões, e nos anos seguintes os valores respectivos de R$ 128 bilhões, R$ 157 bilhões, R$ 160 bilhões, R$ 159 bilhões, R$ 162 bilhões (recorde da história do Brasil), totalizando mais de R$ 911 bilhões nos seis primeiros anos do governo Lula. Mas, somando-se os valores dos seis primeiros meses de 2009 chegamos em julho a R$ 1 trilhão, aliás, um fenômeno que não para de crescer diariamente.
Para se ter uma ideia desta verdadeira trágica gastança, basta dizer que este valor representa mais do dobro do total destinado pelo governo em Educação, Saúde e Investimentos em infraestrutura. Simplesmente um absurdo. É por isso que nossas escolas, nossos hospitais e nossas estradas estão um caos.
Sabemos que o Brasil é antes de tudo um país injusto pela concentração perversa da renda nacional. Mas posso afirmar, sem nenhum engano, que nunca houve tanta concentração de renda nas mãos dos bancos como no governo Lula. Quem diria, hein? É bom lembrar que mais de 80% de todo o crédito está em apenas oito instituições financeiras. Manter juros tão altos, sem nenhuma justificativa, exceto por vontade política, é um crime contra os brasileiros, pelas seguintes razões:
- força-os a ter de pagar mais impostos (que também já superam R$ 1 trilhão por ano) para gerar um superávit primário, com o intuito de sobrar dinheiro para pagar juros para os bancos;
- o governo, para gerar superávit primário, praticamente não investe em infraestrutura. Nos seis primeiros anos, o governo Lula não investiu R$ 90 bilhões, ou seja, tem dinheiro para pagar juros mas não para investir. Para cada R$ 10 em juros, não investe nem R$ 1;
- por tudo isso, a qualidade da educação básica está uma lástima; os hospitais públicos, uma tragédia; e as estradas, esburacadas ou sem asfaltos, uma pista da morte.
Posso imaginar alguém querendo me criticar por este artigo, dizendo: ”Mas isso já vem há tempos”, como se eu fosse uma pessoa contra o governo Lula, apenas para ser contra. Não, eu sou é a favor do Brasil. E jamais esperei que uma pessoa com a trajetória de Lula fosse se entregar para o sistema financeiro (nacional e internacional) da maneira como ele vem fazendo, com o apoio do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. É uma pena e um desastre para o país e para os brasileiros.
Com isso, simplesmente estamos mais uma vez perdendo o bonde do mundo. Antes da crise, o mundo crescia, mas o Brasil patinava. Com a crise, era hora de o governo, em vez de torrar bilhões com juros, destinar essas montanhas de dinheiro para fazer do Brasil um canteiro de obras, preparando o país para, assim que a crise acabasse, voltar efetivamente a crescer.
Mais uma vez o governo continua enganando o povo. A única coisa que sobra é o Fome Zero, programa a que sou favorável, pois consome por ano menos de 10% do que se torra com juros. Do tão propalado PAC, o governo é o que menos investe. Mas, fala-se muito.
Se somarmos ao R$ 1 trilhão em juros o aumento que houve na dívida, a conta ultrapassa R$ 1,6 trilhão. O caro leitor sabe o que isso significa? Simplesmente mais de R$ 700 milhões por dia do atual governo torrados com juros e com o aumento da dívida pública. Infelizmente, a grande maioria do povo brasileiro não sabe de nada disso. A péssima educação ajuda o povo a se contentar com os R$ 70 do Fome Zero.
(*) Ph.D. em Economia e Agribusiness pela Ohio State University (EUA, 1980), foi Professor Titular da UFPR (1974-95), Professor visitante nos EUA, Japão e Alemanha, autor de seis livros de Economia e Agronegócio. É um dos fundadores e atual diretor presidente da Estação Business School.



