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Educação Financeira na Escola
É a escola, depois da família, a célula básica da sociedade, onde as crianças e jovens devem moldar seu caráter, sua conduta e suas aptidões para serem desenvolvidas e exercitadas em prol da sociedade.
E a Educação Financeira também deveria ser aprendida, quando não é iniciada na família, na escola. Este aprendizado deveria começar no 1º. grau e se estender pelo 2º. grau, obrigatoriamente. O que se observa no país, como decorrência também do que já abordamos no artigo anterior, é que há uma omissão desta responsabilidade por parte deste segmento importante da sociedade.
Historicamente a escola brasileira, fruto da influência européia e dominada pela Igreja Católica Apostólica Romana, esteve sempre bastante distante da realidade da sociedade e consequentemente bastante alienada na sua missão de formar e informar os seus alunos. Na educação financeira a omissão é quase que total.
É necessário que os governos se atentem quanto a isto, para evitarmos que tenhamos uma sociedade somente consumista, sem os princípios mínimos de educação financeira para a vida, evitando uma série de contratempos que se tem observado no dia-a-dia das pessoas.
E dizer que o nosso crédito, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) do país não chega a 50%. Em patamares mundiais, este percentual beira de 80% a 120% na maioria das economias estáveis. Os Estados Unidos da América, às vésperas da crise de 2008 chegaram ao percentual de 200% de crédito em relação ao PIB do país (24 trilhões de dólares em crédito) e vimos o resultado desastroso de tal endividamento.
Outro detalhe que deve ser destacado, é que de 2004 a 2008 com o crescimento da economia brasileira em percentuais mais significativos que o das últimas décadas, a classe que mais se endividou, pode-se afirmar, sem sombra de dúvida foi a classe C ou a classe média baixa, aquela que tem um salário básico em torno de R$ 1.100,00. Esta foi a mais favorecida pelo crescimento e as pessoas desta classe, como de outras, não tem uma verdadeira noção de como administrar as suas receitas e as suas despesas, gerando um passivo mensal que cresce periodicamente.
Este passivo normalmente é suprido com a utilização do Cheque Especial Bancário que cobra as absurdas taxas de juros em torno de 150% ao ano (7,93% ao mês) ou com o Crédito Rotativo do Cartão de Crédito que cobra anualmente de 289% a 434% ao ano (de 11,99% ao mês a 14,99% ao mês). Também pode-se citar financeiras que cobram em empréstimos pessoais taxas anuais que vão de 289% a 628% ao ano (12% ao mês a 18% ao mês).
Com uma economia mais estabilizada e com taxas anuais de inflação em torno de 4,50% ao ano, fica cada vez mais difícil o pagamento dessas taxas citadas, e que são corriqueiras atualmente no mercado financeiro brasileiro. Isto contribui significativamente para o desequilíbrio de qualquer orçamento pessoal ou doméstico.
Uma primeira notícia alvissareira, se é que se pode chegar a tanto, é a notícia do Estadão de São Paulo, na sua edição de 16/12/2009 e com reportagem de Mônica Ciarelli que diz:
“A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério da Educação (MEC) esperam alcançar 1.650 escolas de ensino médio em 2010 com o programa de educação financeira desenvolvido pelo governo. Além de ações voltadas para crianças e adolescentes, o governo quer melhorar também o conhecimento da população brasileira adulta. Esse trabalho ficará a cargo do Banco Central e tem como ponto de partida um treinamento com representantes das Forças Armadas”.
Que este seja um primeiro passo de uma série, para deixar o nosso povo cada vez mais consciente. É esperar para ver.
No próximo artigo, abordaremos algumas dicas que ajudem a organização das finanças das pessoas físicas com a elaboração de um Fluxo de Caixa Diário das Finanças Pessoais.
Mais duas referências bibliográficas:
c) GESTÃO EM FINANÇAS PESSOAIS – autor: Eduardo D. Silva – Editora Qualitymark;
d) GUIA DE FINANÇAS PESSOAIS – autora: Mara Luquet Frankenberg – Valor Econômico – Editora Globo.
Curitiba, 01/mar/10
Prof. BELLIO (Antonio Carlos Bellio)



