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Brasil Visão Estratégica
Judas Tadeu Grassi Mendes (*)
Em um outro artigo (“Nunca na História deste País…”, dediquei-me a apenas citar 20 situações de erros do governo Lula e que esses erros são apenas uma evidência de que vivemos num país sem nenhuma visão estratégica de futuro. Tudo é na base do improviso. No entanto, o presidente continua a repetir sua já famosa frase: “Nunca na história deste país”, como se tudo parecesse maravilhas.
Seria demais pedir para:
a) dar um basta na gastança do governo;
b) reduzir os juros (Selic) e assim economizar para investir;
c) fazer as reformas administrativa, trabalhista, tributária e previdenciária;
d) aumentar a produtividade do setor público, como se exige do setor privado; e) melhorar a qualidade dos serviços públicos;
f) respeitar o cidadão e assim por diante?
Que tal, um governo que:
- Pela dimensão e importância do Brasil, agisse estrategicamente com os demais países da América do Sul, construindo juntos ferrovias que ligassem o Atlântico ao Pacífico, principalmente porque os asiáticos (em particular a China) estão se tornando grandes compradores mundiais. Todos os países sul-americanos seriam beneficiados. Isto sim seria uma via eficaz de integração internacional, e não essas reuniões ineficazes que vemos quase mensalmente?
- Por ser o Brasil continental, investisse em ferrovias com bitolas largas (que garantem alta velocidade), em três níveis: uma pelo litoral, outra pelo meio (sentido Norte-Sul) e uma terceira pelos estados do Oeste, que interligadas às ferrovias do Atlântico-Pacífico iriam nos dar maior competitividade no comércio exterior?
- Baixasse a Selic, para no máximo 50% acima da meta da inflação, sem nenhum risco de inflação, pois o mundo inteiro tem juros baixos e a inflação é controlada? Mesmo assim, ainda teríamos juros reais entre os maiores do mundo e a economia seria em torno de R$ 80 bilhões por ano, que, se investidos em infraestrutura, saúde, educação, saneamento e segurança provocariam uma verdadeira revolução no Brasil em poucos anos. Afinal, de que adianta um país que economiza bilhões (superávit primário), mas que não cobrem nem metade dos mais de R$ 150 bilhões que paga em juros por ano? Não precisa ser gênio para concluir que o erro está na política errada de juros altos, os maiores do mundo. Ou é o mundo que está errado?
- Apostasse para valer em educação básica pública, a exemplo do que o Japão fez há mais de 100 anos, de tal modo que pobres e ricos estudariam em escolas públicas de excelência e de qualidade? Costumo dizer que o Brasil somente será um país decente no dia em que não houver escolas privadas na educação básica. Infelizmente, porque a pública é sofrível, precisamos ainda das escolas privadas, mas o correto seria que apenas existissem as escolas públicas, desde que de qualidade, onde o professor fosse valorizado e tivesse orgulho desta vital profissão.
- Para enfrentar a atual crise financeira mundial promovesse investimentos públicos maciços, fazendo um verdadeiro canteiro de obras e, assim, nos preparando para voltar a crescer em dois ou três anos. É bom lembrar que a infraestrutura precária que temos só resistiu porque o Brasil foi a país que menos cresceu no grupo do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e o penúltimo na América Latina, ou seja, um país que patina e cresce muito pouco. Não há como o Brasil crescer a taxas de 8% (que é o seu potencial) com a infraestrutura de que dispõe atualmente. Daí a oportunidade que o atual governo está perdendo ao investir o mísero 0,5% do PIB como vem fazendo. Assim, seremos sempre um país de segunda linha e jamais desenvolvido.
A primeira grande mudança está na queda brusca da taxa de juros (Selic), economizar bilhões de reais e investir maciçamente em infraestrutura. O que precisamos é de investimentos, não de gastança. Recursos existem, mas são muito mal empregados. Afinal, o governo arrecada mais de R$ 1 trilhão por ano. Precisamos de um choque de gestão pública. Sem isso, seremos sempre um potencialmente rico, mas pobre país.
Com estes dois artigos, espero ser mais um a fazer o alerta para, quem sabe um dia, termos um governo verdadeiramente com visão estratégica no Brasil e na América Latina. Nossa esperança, pelo jeito, é só a partir de 2011, na pós-eleição e isso se soubermos escolher alguém capaz de provocar estas mudanças. Se escolhermos mal, ficaremos mais alguns anos patinando, como tem acontecido.
(*) Ph.D. em Economia e Agribusiness pela Ohio State University (EUA, 1980), foi Professor Titular da UFPR (1974-95), Professor visitante nos EUA, Japão e Alemanha, autor de seis livros de Economia e Agronegócio. É um dos fundadores e atual diretor presidente da Estação Business School.



